Paulo Cancian
1951
-2018
Paulo Renato Marques Cancian nunca foi apenas um jornalista. Era um homem que acreditava no poder das palavras para aproximar pessoas. Para ele, comunicar não significava apenas informar. Significava ouvir, orientar, acolher e fazer com que cada pessoa se sentisse importante. Talvez por isso, quem o conheceu raramente comece lembrando dos cargos que ocupou. Primeiro, fala da sua generosidade. Depois, do profissional extraordinário que foi.
Nascido em 1º de maio de 1951, em Passo Fundo, Paulo Cancian descobriu ainda jovem que seu lugar era na comunicação. Fascinado pelo rádio desde a infância, iniciou sua trajetória na Rádio Caxias em 1969 e nunca mais se afastou do jornalismo. Ao longo de quase cinco décadas, tornou-se uma das grandes referências da comunicação da Serra Gaúcha, atuando em rádios, jornais, televisão e assessorias de imprensa. Participou da implantação do Pioneiro como jornal diário, ajudou a criar a Folha de Hoje, liderou equipes, formou profissionais e viveu cada projeto com a intensidade de quem enxergava na notícia um compromisso com a verdade e com a comunidade.
Mas sua maior marca nunca esteve apenas na qualidade do texto ou na liderança das redações. Cancian era lembrado pela maneira como tratava as pessoas. Chorava ao precisar demitir colegas, comemorava o crescimento de quem trabalhava ao seu lado, encontrava tempo para orientar jovens jornalistas e ajudava discretamente quem enfrentava dificuldades. Nunca via pessoas como números. Via histórias. E fazia questão de valorizá-las.
Fora do trabalho, era um pai apaixonado, um marido dedicado, um amigo presente e um entusiasta da vida. Gostava de filosofia, de futebol, dos Beatles, das conversas demoradas e das boas ideias. Sonhava com um jornalismo mais ético, mais humano e mais respeitado. Mesmo quando enfrentou perdas profissionais e momentos difíceis, jamais perdeu a capacidade de voltar a sonhar e de acreditar que a comunicação podia transformar realidades.
Em 20 de dezembro de 2018, aos 67 anos, Paulo Cancian faleceu no Hospital Geral, em Caxias do Sul, após enfrentar complicações provocadas pela diabetes. A notícia provocou uma enorme comoção. Durante quase vinte e quatro horas, amigos, familiares, colegas e admiradores passaram pela capela para prestar sua última homenagem. Não era apenas a despedida de um jornalista reconhecido. Era o adeus a um homem que havia deixado marcas profundas na vida de inúmeras pessoas.
Sua história, porém, não terminou naquele dezembro. Ela continua em cada jornalista que aprendeu com seus ensinamentos, em cada profissional que recebeu sua confiança, em cada amizade que cultivou e em cada pessoa que saiu de uma conversa com ele sentindo-se melhor do que quando chegou. As cinzas de Cancian foram espalhadas no Estádio Alfredo Jaconi, casa do Juventude, clube que tanto amava. Mas sua verdadeira presença permanece em outro lugar: na memória de todos aqueles que aprenderam, por meio de sua vida, que comunicar é, antes de tudo, cuidar das pessoas.
A história de vida de Cancian foi eternizada em livro pela Legado. Entre em contato pelo WhatsApp para ler a versão digital: (54) 997114447.